Questão de pele... (minhas tatoos)

23 novembro, 2010

Adoro presentes...


Graças a Deus, ou a minha vaidade, sempre ganhei muitos presentes!
Sou uma mulher de gosto apurado,contudo, nada exigente! Acreditem, não mesmo!
É pura ironia do destino, quando meus olhinhos tendem a olhar pra tudo aquilo que é mais caro.
Me esforço, mas não tem jeito, por mais q euzinha opte por algo mais simples, qdo pergunto o valor é um drama!
Mas não quero falar sobre coisas materiais!
Quero falar sobre extremos,sobre os meus extremos!
Preciso perguntar pro Sr. Wilson, meu guru, (tô brincando, não briga comigo)se é comum entre os esclerosados, desenvolverem a bipolaridade.
Ora sou surpreendida com uma palavra de carinho. Ora preciso de diamantes, como quem necessita urgentemente de um transplante de orgãos.
Calma pessoal, é só um exemplo!
Hoje estive mexendo em algumas caixas antigas que ficaram na casa da minha mãe, li por horas, paginas dos meus diários, cartinhas, presentinhos, revi fotos,etc.
Algumas coisas que encontrei me chamaram a atenção.

Uma florzinha seca, roubada do canteiro do colegio, que uma aluna(na época com tres aninhos), chamada Bárbara, a minha Barbarela me deu no dia em que recebi a noticia que meu pai havia ido para a UTI, e que provavelmente dali não sairia mais.
Lembro do meu choro,e em meio aquele desespero, apareceu como um balsamo aquela coisinha pequininha, com as unhas todas pintadas de esmalte me entregando uma florzinha murcha pelo calor do sol, dizendo que não gostava de me ver triste.

Um poema,chamado "cantiga pra não morrer" de autoria de Ferreira Gullar, já postado aqui, escrito com uma letra caligraficamente caprichada, do meu amigo Flávio Alves. Amigo que tenho um carinho imenso, que me conhece, e que inexplicavelmente aparece de alguma forma qdo o chamo, ainda que em pensamento. Recentemente, recebi esse poema de outro amigo, na qual fiquei honradissima por te-lo recebido,(mesmo sabendo q foi por conta da minha brancura, amei relembrar esses versos Ciclone).

Encontrei uma embalagem de trufa, com a seguinte legenda: "Apresentação da Trupe Retralma, no Teatro Paschoal Carlos Magno - 1999".
Era o convite para que eu fosse assistir uma peça de releituras de algumas musicas do Milton Nascimento, na qual o William iria trabalhar. Ele sabia que eu gostava de trufas e que chocolate me deixava feliz. (Hoje não existe mais a padaria que ele comprava minhas trufas, nem o teatro se chama mais Paschoal Carlos Magno, chama-se Teatro Vasquez).Faz muiiiiito tempo.
Encontrei cartoezinhos natalicios da minha amiga Jú, datados em 1989 e com uma letra horrivel, (propria de uma criança que esta sendo alfabetizada). Amiga, não me leve a mal eu amo você!
Mas de tudo que encontrei, me surpreendi com um papelzinho, nem tão novo, nem tão velho,sem data, tirado de um caderno, com uma letra não muito caprichada, com uma simples dedicatória, o poema abaixo:
"A minha taça ergo, em louvor
daquela em que tudo é belo
e para todas as mulheres
serve, parece, de modelo.
A ela, um brinde, E se na terra
outras houvesse a elas iguais,
Seria a vida só poesia
e o tédio um nome e nada mais."
Edward Coate Pinckney

Pra você moça e menina,
com carinho.

Não tinha assinatura, não me lembro como ganhei, nem em sonho me passa pela cabeça quem possa te-lo escrito.
Mesmo sabendo que não sou digna de nenhuma dessas palavras, que lindo presente!
Um papel qualquer, escrito a mão , onde sou chamada de moça e de menina.

Perfeito!

Bem provável, que na ocasião em que recebi, aqueles versos não tenham surtido tanto efeito em minha alma como fez na tarde cinza e chuvosa de hoje.(Caso contrário, me lembraria da pessoa, q escreveu).

O fato e que uma indagação imensa veio se deitar ao meu lado, dividindo a almofada e o tapete em que estava pra reler e reviver todas aquelas lembranças.
Era mista a sensação daqueles momentos.
A tristeza da flor, o afeto do poema, o gosto da trufa, a beleza dos sinos ilustrados no cartão de natal.
Não pude evitar de me procurar no poema anonimo.
Quem era aquela moça menina, merecedora daquelas palavras, dona daqueles diários, daquela sapatilha velha de dança, e de todas aquelas lembranças?
Tive a sensação de conhecer a historia de alguém. De mergulhar admirada nas lembranças de outra pessoa.
Mereceria a Dá de hoje um poema daqueles?

Pois bem, como o tempo tem a capacidade de mudar cenarios, figurinos, roteiros e trilhas sonoras.
Como o valor financeiro não tem importancia alguma ao se receber um presente com a veracidade do coração. Ainda que este não tenha cara de presente, embrulho de presente, nem tampouco a intenção de parecer com um presente.

Quem me conhece sabe que tenho inumeras teses,uma delas é o lema de que o tempo melhora as pessoas.
Surpreendentemente, continuo com essa convicção tanto no aspecto físico, mas principalmente no que se refere a alma, a espiritualidade a visão de mundo.
Mesmo convivendo hoje com algumas limitaçoes, e não sendo mais a moça menina de sapatilhas de outrora, tento prosseguir como agora como a "mulher menina", com gostos ainda apurados, mas que valoriza ainda mais o carinho dos presentes diarios, sejam eles materiais, musicais, escritos, falados ou inusitados.

Um comentário:

DiAfonso disse...

Olá, Dá Ferreira! Bom dia!

Adorei o seu Blog! Encontrei-o lá no Terror do Nordeste, do cumpadi Gilvan Freitas. Parabéns!

Agradeço, incusive, a oportunidade de escutar Baiano e os novos caetanos! Massa! Valeu!

Abs!

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