Questão de pele... (minhas tatoos)

11 abril, 2011

Todos foram vítimas!!!



Certamente muitos dos leitores desse post discordarão da minha analise. Mas a reflexão que desejo propor hoje é sobre o atentado ocorrido em Realengo-RJ, no ultimo dia 7 de abril.
Infelizmente somos produtos de uma midia formadora de opinião. É só assistirmos determinadas noticias na tv, ou em outro meio de informação e logo reproduzimos o tal discurso dizendo: " Voce viu o que aconteceu?"
A maneira rasa com que recebemos as noticias, gera em nós a principio apenas a indignação violenta e extrema de ocorridos como esse em Realengo.
O favorecimento midiatico em focar "culpas" numa unica pessoa, nos impede de olhar de modo critico para o sistema.
Sentimos a dor da perda, a indignação por tamanha crueldade, o lamento pela falta de segurança, a revolta por tal atitude desumana e insana...
Contudo, não apronfundamos nosso olhar para questionar a figura que protagonizou o evento.
Quem era Wellington Menezes de Oliveira?
Por que um rapaz de 24 anos, entraria numa escola e de modo frio e calculista executaria à sua escolha, crianças indefesas?
Como uma instituição de ensino, pode ser tao falha ao receber um insano,armado, como um palestrante?
Qual era a formação ideologica de um rapaz que faz questao de estabelecer exigencias qto ao seu velorio?
Ao meu ver, questões como estas são imprescindiveis para que possamos estabelecer criticas mais ferrenhas ao nosso sistema em suas mais variadas instâncias.
O preocupante, é que existem muitos "wellingtons" em nossa sociedade, vitimas do descaso social.
Investigaçoes apontam o rapaz como sofredor de bulling nos tempos de colegio. Acredito esse ser apenas um dos fatores psicologicos que moldaram o carater e a personalidade desse moço.
Certamente a falta de acesso a condiçoes dignas de trabalho e estudo, a ausencia de um sistema de saude eficaz, que se atentasse que o mesmo ja demonstrava disturbios de personalidade em seu dia a dia, e ainda, quais bases formadoras possuia esse homem, para deixar em sua carta palavras que denunciavam um extremo fanatismo religioso?
Acredito que a delinqüência infanto-juvenil, bem como a criminalidade em geral, pode ser compreendida como busca de solução a uma história
de conflitos, frustrações e privações, incluída aí a privação emocional. Minha formação não se centraliza na area da psicologia,(por isso, nao ouso estabelecer minhas opiniões sob esse foco). No entanto,tomo a liberdade de avaliar esses fatos, sob o foco da critica social, da importancia em estarmos atentos enquanto sociedade, à questoes que ainda nao chegaram ao extremismo desse fato, mas que tb estão presentes em nosso dia a dia.
Termino com a ideia de um psicanalista chamado Winnicott que passei a me interessar qdo li o livro "Privação e Delinquencia", no periodo em que fazia magisterio;(há mtooooo tempo).
As palavras abaixo, foram ditas por ele numa palestra, e acredito ser bem pertinente ao caso desse rapaz Wellington, que deixou relatada suas ultimas vontades numa carta. Vejam:

"...A criança, nos primórdios de sua existência, “cria” o seu ambiente, embora ele já pré-exista, “cria” sua mãe, embora ela já pré-exista. “Cria”, isto é, “configura” sua mãe e o ambiente para seu “eu”, sua realidade própria, totalmente única, original, inconfundível com qualquer outra realidade. Todo ser humano aspira viver plenamente e criativamente sua vida, na posse plena do objeto, com segurança e autoconfiança, num ambiente estável e acolhedor. Essa é sua necessidade fundamental e a ela todas as suas condutas se vinculam, direta ou indiretamente. Até mesmo a conduta suicida em última análise, é, a meu
ver, uma manifestação dramática, desesperada e última de busca da vida, pois ele só pode ser cometido por aqueles que não encontram mais vida em sua vida..."

Abraços e sentimentos por mais essa tragédia na historia do nosso país.

7 comentários:

Elaine C Chieppe disse...

Ei amiga, concordo com tudo. Sua reflexão sobre o fato ocorrido foi bem abrangente e é nesse ponto que todos nós nos configuramos. Pra aguentar o tranco da vida temos que ser artistas de nós mesmos, ter uma cabeça boa e nos reinventarmos sempre. E isso nem sempre acontece quando não se possui um mínimo de estrutura, principalmente a familiar. No caso do atirador está mais que claro, que ele também foi uma vítima dessa sociedade que não o acolheu quando ele mais precisou. Claro que não é justificativa para o fato lamentavelmente ocorrido. Mas "todos foram" e todos somos vítimas de acontecimentos cruéis que presenciamos a todo instante.

Tuka Siqueira disse...

O pior dessa história toda, é que a mãe e a escola (talvez a mesma em que ele entrou para matar e morrer) já haviam notado sua deficiência em perceber a realidade e ele chegou a fazer tratamento psicológico, mas em determinada idade, "não quis mais" e pronto. Esse tipo de tratamento deveria ser obrigatório, não quer ir? Vamos buscar em casa. A família também não lhe dava importância, tanto que a mãe morreu e ele ficou sozinho, elaborando toda essa trama sinistra sem ser incomodado. Seu corpo está lá no IML, à espera de alguém que o enterre com alguma dignidade.
São tantos os aspectos que não são falados, divulgados ou investigados...
Nossa sociedade precisaria de uma reformulação geral, desde novos princípios e valores até uma nova forma de se educar e punir. A curto e médio prazo, não vejo soluções possíveis para nós...

Beijos

Um espaço pra chamar de meu disse...

Cheguei aqui depois q a Tuka compartilhou no TT...Eu sou do RJ e fiquei muito abalada como todo o Brasil,mas confesso q tenho pensado muito na pessoa dele,qdo fiz uma cara meio triste por saber q ele pode ser enterrado como indigente fui repreendida...mas ele é vítima tbém,como vc disse, estas pessoas estão a nossa volta e não damos conta delas,até q surtam d vez e são notadas...por que ñ os vemos antes em suas dificuldades,timidez,estranheza?É mais fácil excluir,colocar d lado dizer q é diferente e largar de mão...Espero q nossa sociedade possa aprender a tempo...

adri disse...

quadro bizarro, com requintes de crueldade. coloquei no meu blog que esse rapaz não pode ser culpado por ter matado os sonhos de crianças. esses sonhos já estão sendo mortos há muito tempo. e os sonhos do rapaz...
precisamos refletir muito sobre essa situação. ela precisa representar um divisor de águas para a sociedade na maneira como tratamos o diferente e também como temos encarado a escola

disse...

É muito dificil para mim, com filho na idade da maioria das vitimas, tentar analisar com alguma frieza ao ponto de acha-lo tao vitima quanto os que morreram.
Mas entendo o que vc diz.
Vivemos numa sociedade doente onde o individualismo impera como modo de sobrevievncia.
E nesse estado de constante egoismo nao há lugar para o amor.
Isso sim é culpa de tudo. A falta de amor no mundo....

Beijosss

Arione Torres disse...

Olá querida, obrigada pela sua visita ao meu blog, adorei. O template do meu blog teve um problema e eu tive que mudar a aparência do meu blog, mas o conteúdo continua o mesmo. Te desejo uma ótima semana, um abraço e fica com Deus.

disse...

Pois é meninas... acredito q a revolta dos pais deva ser imensuravel!!! Mas ha algo a ser feito...Esse sistema podre e desumano, so sente indignaçao no calor da hora... mas nada de eficaz e feito! Qtos ainda teremos q perder? Qtos rapazes como esse, sao e farao novas vitimas....
E complicadissimo!
bjs p vcs