Questão de pele... (minhas tatoos)

27 julho, 2013

E com vocês, vossa santidade O PAPA

Ontem pela manhã, dia 26 de julho,  me permiti sentar diante da televisão para acompanhar algumas notícias sobre a visita do Papa ao Brasil.
Sem duvidas minha primeira impressão foi a seguinte: "Estou diante de um franciscano, inovador, ousado e do bem". 
Eu particularmente admiro mto o ministerio dos franciscanos, acho de tamanha nobreza o q pregam,  como vivem e suas obras diarias. Aliás São Francisco de Assis, é um dos santos católicos por quem tenho grande simpatia.
Dentre tantos discursos que fez até o momento, Francisco incentivou os jovens a “não desanimarem” diante da corrupção, “pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício” mencionou as vítimas de violência. Se compadeceu dizendo que “Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos”. Lembrou "das famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga."
O papa  também fez questão de se encontrar com oito jovens infratores no Palácio São Francisco, na sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ele recebeu uma cruz de presente, com a inscrição “Candelária Nunca Mais”, em referência ao massacre da Igreja da Candelária, que completou 20 anos na semana passada.
Segundo o porta-voz do Vaticano, o pontífice ficou “emocionado” com a lembrança da chacina de oito crianças que dormiam em torno da igreja, e comentou: "Candelária, nunca mais. Violência, nunca mais, só amor". Depois, ele orou com os menores, antes de se dirigir ao balcão principal do palácio e rezar o Angelus Domini diante de 5 mil fiéis, quando destacou a importância da família.
Ufa, e a programação da vossa santidade não pára por ai. Aos 76 anos, ele apresenta disposição e simpatia por onde passa, e como ficará no Brasil até domingo, certamente haverá mais por ai.
Mas eu quero citar algo que me emocionou e ao mesmo tempo me fez refletir sobre a fé.   Enquanto Francisco passava por seu trajeto ate a Sede da Arquidiocese do Rio de Janeiro, crianças eram levadas até ele para serem abençoadas. Nesse percurso um garotinho, tomado por extrema emoção o abraçou e chorou.  Chorou copiosamente, e eu tb chorei!!!
Chorei num misto de fé e lamento. Chorei por perceber a carencia daquelas pessoas pela presença de algo que reporte a bondade, a benção ao divino. O que faz aquela multidão correr atras de um lider religioso (um chefe de Estado) que por mais bondade que reporte, é um ser humano como cada um de nós?
Fiquei refletindo sobre minha trajetoria de fé. Os maiores erros e maiores arrependimentos que tenho na minha vida, advém justamente  pelo "seguir" pessoas que se reportaram a figura de Deus.
Ahhh como somos carentes...
Como nossa fé é bela e burra ao mesmo tempo...
Como somos levados por ventos de doutrinas tão perigosos e manipuláveis...
Sou uma das muitas pessoas que admiram a postura do papa Francisco. Sou uma das muitas que têm se surpreendido por sua simpatia e simplicidade. Mas a quem de fato esse homem representa?
A que historia a igreja que ele ovaciona pertence?
Emboras seus discusos sejam atentamente ouvidos pelo amor e humildade que o mesmo apregoa, Francisco ja deixou claro seus posicionamentos (que são os posicionamentos da igreja) sobre a homossexualidade, o aborto dentre outros assuntos que sabíamos que nao seria diferente. Não nos enganemos, não sejamos superficiais e ingenuos com relação a bondade demonstrada. 
Somos aquilo que acreditamos, que professamos e que abraçamos como historia.
Ao ver aquela criança chorando, lamentei atraves da emoção ingenua, as muitas "fés" que continuam a perecer por tamanha ingenuidade e ignorancia.
Faço-me semelhante aos bons que com cordialismos dizem: Ai filhinhos... (mas prossigo em meus conselhos) ... não vos iludam, a fé só é boa qdo nao toma demasiadamente o senso crítico de uma pessoa. Ela traz vida, mas também pode trazer a morte. Morte do intelecto, do senso de justiça, da igualdade e porque não da fraternidade!
Carpe diem, ou melhor, SOLI DEO GLORIA...


13 julho, 2013

Tesão Intelectual

Há alguns meses estava certa e convicta de que esse blogg conteria apenas textos sobre minhas vivencias politicas, sobre meu diagnóstico de Esclerose Múltipla e sobre outras questões como musicas, filmes, livros e coisinhas do tipo .
No entanto, cheguei a conclusão que não sou uma pessoa fragmentada  e que  esse blogg nem seria meu se nos assuntos citados acima não tivesse um "bocado de Dalila".
E esse bocado contempla juntamente com a politica, com a EM, com minhas musicas, meus filmes, meus livros, todas as  minhas descobertas, minhas reflexões, meus amigos, minhas paixões, meus gostos, dissabores e algo que denomino de TESÃO INTELECTUAL.
Não vai ter jeito... sem um pouco disso tudo, esse espaço não seria meu, e pra falar a verdade não quero que tenha jeito, sou um pouco de tudo, e esse tudo faz com que eu seja esse EU!!!
Faço das palavras de Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa) minhas palavras: "Pertenço à tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio...".
Sendo assim, não cabe a mim ignorar as descobertas que atravessam meu caminho, me fascinando,  seduzindo meu intelecto e minha alma através de palavras, de trilhas sonoras, de reflexões políticas, dos assuntos sobre os céus e seus deuses e da grandeza do mundo.
Todos nós deveríamos enxergar que cada pessoa que cruza nosso caminho, tem o poder de imprimir em nossa alma o desejo pela descoberta de si próprio e do outro. Tem o dom de nos dar prazer por sua companhia, tem o cuidado de nos doar do seu tempo para falarmos e sermos ouvidos, sem nunca ter a sensação de que aquelas horas foram  nem por um minuto, o que chamamos de "tempo perdido". Tudo isso de maneira livre, sem cobranças, sem pretensões. Prazer pelo prazer, seja de rir, de chorar ou  de filosofar....
Embora eu seja uma pessoa cercada por muitas pessoas (e agradeço aos deuses por esse privilégio), tenho algumas poucas pessoas que conhecem minha alma, algumas de perto e outras de longe na qual sabem o significado de cada palavra que expresso.
É como se cada uma delas tivessem um tiquinho de mim  e eu um tiquinho delas. Não nos falamos todos os dias, nos vemos eventualmente, mas nos fazemos presentes através de cifras, versos e momentos. ( Sem contar meu "amigo mor", que dorme comigo todos os dias há quase 10 anos).
Por cada uma dessas pessoas que conhecem minha "nudez de alma", tenho uma paixão inexplicável. Pois nenhuma delas negociaram nossa amizade por mais difícil que fosse o problema que tivéssemos enfrentando durante nossa trajetória.
Chego a conclusão que o amor permanece e a paixão só é alimentada (seja em quaisquer tipos de relação) qdo há liberdade, qdo não há cobranças, quando existe espaço pra lealdade e respeito.
Nesse tempo, estou tendo o "TESÃO INTELECTUAL" de descobrir uma nova amizade. Minha sensação é como se minhas convicções, minhas ideologias, meus gostos literários, musicais transcendessem  minha matéria e transbordasse em outra pessoa.
A cada assunto que surge, a cada dia da semana celebrado com uma musica, a cada surpresa cifrada num arquivo de email,  as concordâncias discordadas,  ligações e despedidas despretensiosas pertencentes somente àqueles que possuem alma livre.  
Tenho a sensação que  possuo diante de mim mais um dos tesouros ímpares que uma "modesta sereia" costuma juntar lá do fundo do mar.  Sinto também, que tal tesouro, Tem estado a vontade , encontrando um lugar confortável dentro do  baú da modesta sereia.
Baú repleto de segredos literários, de canções de Chico Buarque, Vinícius de Mores, Marisa Monte, trechos de livros, papos políticos e reflexões existenciais.
 Quem me conhece sabe que não costumo comparar pessoas, cada uma permanece em nossa vida o tempo determinado para escrever em nosso livro um capitulo,  um trechinho da nossa historia. Quer seja um capítulo breve ou um longo capitulo, o prazer de viver intensamente nos lança em abismos sem volta.  Nos faz ler entrelinhas, sorrisos, timbres e angustias que nos encantam dia a dia.
 Estou cada vez mais convicta  que para algumas situações novas acontecerem temos que romper com situações antigas, abrir mão, lançar fora pessoas e situações que possam nos impedir de viver o novo que está bem ali, a nossa frente.
Caso contrario, o peso da bagagem se torna insustentável, negociável e nada prazeroso. 
Precisamos estar cientes que ninguém pertence a ninguém. Somos apenas possuidores de nós mesmos, da nossa integridade, da nossa lealdade para conosco e para com o próximo qdo sentimos reciprocidade. Nossa historia nos pertence hoje, amanha não sabemos a direção que os ventos irão conduzi-la, portanto, nos resta a árdua tarefa de viver como se o minuto seguinte não fosse existir.
Viver como um poeta andarilho, que carrega apenas o q necessita, e junta tesouros atípicos.
Meus tesouros também são atípicos.
Meus tesouros são meus  poucos (e raros) amigos, aqueles que decidem caminhar ao meu lado...


01 julho, 2013

Na mesma estação


Creio que por algumas vezes ja tenha falado sobre a analogia em que nossa vida é como um vagão de um trem...
A cada dia me convenço o quão perfeita e sublime é essa ilustração.
De fato, nossa vida é semelhante a um vagão. Onde durante nossa trajétoria pessoas sobem e descem constantemente em nosso trem.
Algumas pessoas surgem em determinada estação e percorrem conosco por longos percursos. Outras nos acompanham numa breve viagem. Existem aquelas que aparecem, somem - sobem e descem da nossa vida e e quando menos esperamos retornam numa estação mais adiante...
Talvez isso seja viver...
Aos meus olhos, a beleza disso tudo não está no apego de quem segue conosco, nem tampouco na lamúria de quem apenas passa por nós por breves momentos.
Ao meu ver, a beleza está na vivência, na alegria, no prazer de sabermos que algo ficou conosco e algo de nós tambem se foi com cada pessoa que nos permitimos vivenciar quaisquer que sejam as experiências.
Romper elos, relacionamentos, aliviar bagagens é algo necessario a todo ser humano. Mesmo muitos de nós não sabendo lidar com finais, a beleza da vida se encontra também nos recomeços. Nas novas viagens.
Sou uma pessoa de sorte. Os ventos (na maioria das vezes) sopram em meu favor me trazendo pessoas que alegram meu trem.
 Pessoas que com sua amizade transformam aos poucos o cinza, o opaco, o insipto  em cores cintilantes que  trazem sabor e aquecem a alma. Pessoas que acrescentam  ao seu mundo  sensações que aparentemente sempre te pertenceram. Que te lêem e te descobrem com  simplicidade e naturalidade. Que fazem a politica parecer mansa mesmo em tempos de manifestos, que discordam concordando e concordam discordando, que faz a noticia ruim parecer leve, as decepçoes releváveis, os dissabores perdoáveis. Que silencia os barulhos com música e os ruídos com poemas. Que faz pensar como os grandes filósofos, embora traga em sua bagagem uma simplicidade de andarilho.
Mesmo com alma livre de pássaro que conhece os prazeres dos diferentes tipos de vôos, desliza sobre tais trilhos com a segurança de conhecê-los bem. Fazendo com que o caminho, a companhia, o compartilhar politico, espiritual e pessoal se tornem impares e especiais.
Nessa tarde cinzenta de frio e chuva, após ler um presente em palavras que ganhei, tive a necessidade de agradecer aos céus, aos deuses, o privilegio de ser lida por pessoas tão especiais que mesmo em meio a "loucura da cidade", pausam para me ouvir, para dividir comigo musicas, reflexões, poemas e angústias.
Obrigada Obrigada Obrigada....  Mto em breve postarei meu "presente".
...Que a musica, a poesia e a companhia não curem, mas que sempre possam ajudar a amenizar.
 Carpe Diem

Com direito à pseudonimos,
Ao meu Amigo e companheiro Rafael,
com carinho Cássia.... rs







23 junho, 2013

O Gigante acordou enquanto muitos nem dormiam... Estou louca?

Oi genteeee..tdo bem por aqui? Aqueles que "despertaram" se encontram vivinhos e sãos? Que bom!!! rs
Quero escrever hoje, na verdade reproduzir o texto (mto bem escrito da Socióloga e militante Marília Moschkovitch), mas antes falar sobre algumas angustias que permeavam minha "cachola" antes do meu caro  amigo e companheiro Rafael Silva Castro compartilhar comigo o texto dessa socióloga.
Na ultima quinta -feira dia 21, me encontrei ao final do dia simplesmente exausta. Exausta emocionalmente, intelectualmente e pq nao dizer ideológicamente. Estaria eu louca? Mais do que o habitual? rs
Ao ponto de passar os 40 minutos da minha terapia semanal, falando sobre minhas inquietações politicas. Durante a sessão falávamos sobre as manifestações, a imaturidade de algumas posiçoes, etc... meu terapeuta fez o seguinte comentario: "Dá, pra chegarmos a maturidade não podemos pular a infância, ninguem é adulto sem antes ter sido criança... repara mtas pessoas estao dizendo "A" pela manha, "B" a tarde e a noite chegam a conclusão que queriam ter dito "Z". Isso faz parte do processo de construção...." .
Enquanto voltava pra casa sedenta por uma taça de vinho, boas musicas e um misero poeminha do Fernando Pessoa que fosse, fiquei pensando comigo mesma que grande parte  das pessoas que estão presentes nas ruas batendo no peito utilizando o chavão que o "gigante acordou", são as mesmas pessoas que até ontem diziam com veemência que politica , religião e futebol não se discutem! 
Pessoas essas que cobram do prefeito posturas cabíveis ao Governo do Estado, que cobram do Governo Federal posturas cabíveis à outras instancias e assim suscetivamente. 
O que esperar de pessoas que levantam cartazes ovacionando o apartidarismo, frases de ordens totalmente apoliticas, vestidas de branco em nome da paz e que chamam ditadura de revolução? 
Decididamente não podemos nos iludir com esse mero bocejo da classe MERDIA! Pois até ontem, tais pessoas estavam apaticas para quaisquer questões sociaise eis que de repente uma onda de consciencia toma a massa como num "plinnnn magico". 
Minha indignação começou com a ostentação de milhares de pessoas que embora cansadas por alguns motivos comuns aos meus, estavam agindo  (na minha opinião como massa de manobra nas mãos de ideologias de pura má fé). Pseudos cidadãos conscientes e participativos que estão presentes nas ruas, são exatamente os mesmos que não condenam o "homossexualismo" mas acreditam que não é adequado para à familia e à sociedade. Essas são as pessoas que são contra o aborto em quaisquer situações, mas creem que estuprador e assassino merecem pena de morte. Esses, são os que enchem a boca pra redução da maioridade penal e são TOTALMENTE CONTRA às cotas, a valorização afrocultural, a pluralidade religiosa, a reforma agraria e distribuição de renda. 
Estamos todos cansados, contudo, juntamente com a reforma politica necessitaríamos de uma onda geral de consiencia, pra que possamos ir além dessas posturas totalmente contraditorias. 
Mas enfim,vamos ao texto da sociologa, espero que todos aqueles que saem às ruas em passeatas de duas ou mais horas de caminhadas movimentando varios musculos, tenham a mesma disposição de movimentar os neuronios e refletir sobre os fatos abaixo.
 Bjs e ate a proxima!!!
...............................................................................................................................................


22 DE JUNHO DE 2013 ÀS 21:19

Por Marília Moschkovich, originalmente publicado em seu blog

Está tudo tão estranho, e não é à toa.

Um relato do quebra-cabeças que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo fazer valer cada palavra.

[*nota da autora, adicionada após muitos comentários e compartilhamentos desviando um pouco o sentido do texto: este é um texto de esquerda]

Começo explicando que não ia postar este texto na internet. Com medo. Pode parecer bobagem, mas um pressentimento me dizia que o papel impresso seria melhor. O papel impresso garantiria maiores chances de as pessoas lerem tudo, menores chances de copiarem trechos isolados destruindo todo o raciocínio necessário.

Enquanto forma de comunicação, o texto exige uma linearidade que é difícil. Difícil transformar os fatos, as coisas que vi e vivi nos últimos dias em texto. Estou falando aqui das ruas de São Paulo e da diferença entre o que vejo acontecer e o que está sendo propagandeado nos meios de comunicação e até mesmo em alguns blogs.

Talvez essa dimensão da coisa me seja possível porque conheço realmente muita gente, de vários círculos; talvez porque sempre tenha sido ligada à militância política, desde adolescente; talvez porque tenha tido a oportunidade de ir às ruas; talvez porque pude estar conectada na maior parte do tempo. Não sei. Mas gostaria de compartilhar com vocês.

E gostaria que, ao fim, me dissessem se estou louca. Eu espero verdadeiramente que sim, pois a minha impressão é a de que tudo é muito mais grave do que está parecendo.

Tentei escrever este texto mais ou menos em ordem cronológica. Se não foi uma boa estratégia, por favor me avisem e eu busco uma maneira melhor de contar. Peço paciência. O texto é longo.

1. Contexto é bom e mantém a pauta no lugar

Hoje é dia 18 de junho de 2013. Há uma semana, no dia 10, cerca de 5 mil pessoas foram violentamente reprimidas pela Policia Militar paulista na Avenida Paulista, símbolo da cidade de São Paulo. Com a transmissão dos horrores provocados pela PM pela internet, muitas pessoas se mobilizaram para participar do ato seguinte, que seria realizado no dia 13. A pauta era a revogação no aumento das tarifas de ônibus, que já são caras e já excluem diversos cidadãos de seu direito de ir e vir, frequentando a própria cidade onde moram.

No dia 13, então, aconteceu a primeira coisa estranha, que acendeu uma luzinha amarela (quase vermelha de tão laranja) na minha cabeça: os editoriais da folha e do estadão aprovavam o que a PM tinha feito no dia 10 de junho e, mais do que isso, incentivavam ações violentas da pm“em nome do trânsito” [aliás, alguém me faz um documentário sensacional com esse título, faz favor? ]. Guardem essa informação.

Logo após esses editoriais, no fim do dia, a PM reprimiu cerca de 20milpessoas. Acompanhei tudo de casa, em outra cidade. Na primeira hora de concentração para a manifestação foram presas 70 pessoas, por sua intenção de participar do protesto. Essa intenção era identificada pela PM com o agora famoso “porte de vinagre” (já que vinagre atenua efeitos do gás lacrimogêneo). Muitas pessoas saíram feridas nesse dia e, com os horrores novamente transmitidos - mas dessa vez também pelos grandes meios de comunicação, inclusive esses dos editoriais da manhã, que tiveram suas equipes de reportagem gravemente feridas -, muita gente se mobilizou para o próximo ato.

2. Desonestidade pouca é bobagem

No próprio dia 13, à noite, aconteceu a segunda “coisa estranha”. Logo no final da pancadaria na região da Paulista, sabíamos que o próximo ato seria na segunda-feira, dia 17 de junho. Me incluíram num evento no Facebook, com exatamente o mesmo nome dos eventos do MPL, as mesmas imagens, bandeiras, etc. Só que marcado para sexta-feira, o dia seguinte. Eu dei “ok”, entrei no evento, e comecei a reparar em posts muito, mas muito esquisitos. Bandeiras que não eram as do MPL (que conheço desde adolescente), discursos muito voltados à direita, entre outros. O que estava ali não era o projeto de cidade e de país que eu defendo, ou que o MPL defende.

Dei uma olhada melhor: eram três pessoas que haviam criado o evento. Fucei o pouco que fica público no perfil de cada um. Não encontrei nenhuma postagem sobre nenhuma causa política. Apenas postagens sobre outros assuntos. Lá no fim de um dos perfis, porém, encontrei uma postagem com um grupo de pessoas em alguma das tais marchas contra a corrupção. Alguma coisa com a palavra “Juventude”, não me lembro bem. Ficou claro que não tinha nada a ver com o MPL e, pior que isso, estavam tentando se passar pelo MPL.

Alguém me deu um toque e observei que a descrição dizia o trajeto da manifestação (coisa que o MPL nunca fez, até hoje, sabiamente). Além disso, na descrição havia propostas como “ir ao prédio da rede globo” e “cantar o hino nacional”, “todos vestidos de branco”. O alerta vermelho novamente acendeu na minha cabeça. Hino nacional é coisa de integralista, de fascista. Vestir branco é coisa de movimentos em geral muito ou totalmente despolitizados. Basta um mínimo de perspectiva histórica pra sacar. Pois bem.

Ajudei a alertar sobre a desonestidade de quem quer que estivesse organizando aquilo e meu alerta chegou a uma das pessoas que, parece, estavam envolvidas nessa organização (ou conhecia quem estava). O discurso dela, que conhece alguém que eu conheço, era totalmente despolitizado. Ela falava em “paz”, “corrupção” e outras palavras de ordem vazias que não representam reivindicação concreta alguma, e muito menos um projeto de qualquer tipo para a sociedade, a cidade de São Paulo, etc. Mais um pouco de perspectiva histórica e a gente entende no que é que palavras de ordem e reivindicações vazias aleatórias acabam. Depois de fazer essa breve mobilização na internet com várias outras pessoas, acabaram mudando o nome e a foto do evento, no próprio dia 13 de noitão. No dia seguinte transferiram o evento para a segunda-feira, “para unir as forças”, diziam.

3. E o juiz apita! Começa a partida!

Seguiu-se um final de semana extremamente violento em diversos lugares do país. Era o início da Copa das Confederações e muitos manifestantes foram protestar pelo direito de protestarem. O que houve em sp mostrou que esse direito estava ameaçado. Além disso, com a tal “lei da copa”, uma legislação provisória que vale durante os eventos da FIFA, em algumas áreas publicas se tornam proibidas quaisquer tipos de manifestações políticas. Quer dizer, mais uma ameaça a esse direito tão fundamental numa [suposta] democracia.

No final de semana as manifestações não foram tão grandes, mas significativas em ao menos três cidades: Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. No DF e no RJ as polícias militares seguiram a receita paulista e foram extremamente violentas. A polícia mineira, porém, parecia um exemplo de atuação cidadã, que repassamos, compartilhamos e apoiamos em redes sociais do lado de cá do sudeste.

Não me lembro bem, mas acho que foi no intervalo entre uma coisa e outra que percebi a terceira “coisa estranha”. Um pouco depois do massacre na região da Paulista, e um pouco antes do final de semana de horrores, mais um sinal: ficamos sabendo que uma conhecida distante, depois do dia 13, pegou um ônibus para ir ao Rio de Janeiro. Essa pessoa contou que a PM paulista parou o ônibus na estrada, antes de sair do Estado de São Paulo. Mandaram os passageiros descerem e policiais entraram no veículo. Quando os passageiros subiram novamente, todas as coisas, bolsas, malas e mochilas estavam reviradas. A policial perguntou a essa pessoa se ela tinha participado de algum dos protestos. Pediu pra ver o celular e checou se havia vídeos, fotografias, etc.

Não à toa e no mesmo “clima”, conto pra vocês a quarta “coisa estranha”: descobrimos que, após o ato em BH, um rapaz identificado como uma das lideranças políticas de lá foi preso, em sua casa. Parece que a nossa polícia exemplar não era tão exemplar assim, mas agora ninguém compartilhava mais. Coisas semelhantes aconteceram em Brasília, antes mesmo das manifestações começarem.

4. Sequestraram a pauta?

Então veio a segunda-feira. Dia 17 de junho de 2013. Ontem. Havia muita gente se prontificando a participar dos protestos, guias de segurança compartilhados nas redes, gente montando pontos de apoio, etc. Uma verdadeira mobilização para que muita gente se mobilizasse. Estávamos otimistas.

Curiosamente, os mesmos meios de comunicação conservadores que incentivaram as ações violentas da PM na quinta-feira anterior (13) de manhã, em seus editoriais, agora diziam que de fato as pessoas deveriam ir às ruas. Só que com outras bandeiras. Isso não seria um problema, se as pessoas não tivessem, de fato, ido à rua com as bandeiras pautadas por esses grupos políticos (representados por esses meios de comunicação). O clima, na segunda-feira, era outro. Era como se a manifestação não fosse política e como se não estivesse acontecendo no mesmo planeta em que eu vivo. Meu otimismo começou a decair.

A pauta foi sequestrada por pessoas que estavam, havia alguns dias, condenando os manifestantes por terem parado o trânsito, e que são parte dos grupos sociais que sempre criminalizaram os movimentos sociais no Brasil (representados por um pedaço da classe política, estatisticamente o mais corrupto - não, não está nem perto de ser o PT -, e pelos meios de comunicações que se beneficiam de uma política de concessões da época da ditadura). De repente se falava em impeachment da presidenta. As pessoas usavam a bandeira nacional e se pintavam de verde e amarelo como ordenado por grandes figurões da mídia de massas, colunistas de opinião extremamente populares e conservadores.

As reações de militantes variavam. Houve quem achasse lindo, afinal de contas, era o povo nas ruas. Houve quem desconfiasse. Houve quem se revoltasse. Houve quem, entre todos os sentimentos possíveis, ficasse absolutamente confuso. Qualquer levante popular em que a pauta não eh muito definida cria uma situação de instabilidade política que pode virar qualquer coisa. Vimos isso no início do Estado Novo e no golpe de 1964, ambos extremamente fascistas. Não quer dizer que desta vez seria igual, mas a história me dizia pra ficar atenta.

5. Não, sequestraram o ato!

A passeata do dia 17, segunda-feira, estava marcada para sair do Largo da Batata, que fica numa das pontas da avenida Faria Lima. Não se sabia, não havia decisão ainda, do que se faria depois. Aos que não entendem, a falta de um trajeto pré-definido se justifica muito bem por duas percepções: (i) a de que é fácil armar emboscadas para repressão quando divulga-se o trajeto; e, (ii) mais importante do que isso, a percepção de que são as pessoas se manifestando, na rua, que devem definir na hora o que fazer. [e aqui, se vocês forem espertos, verão exatamente onde está a minha contradição - que não nego, também me confunde]

A passeata parecia uma comemoração de final de copa do mundo. Irônico, não? Começamos a teorizar (sem muita teoria) que talvez essa fosse a única referência de manifestações públicas que as pessoas tivessem, em massa:o futebol. Os gritos eram do futebol, as palavras de ordem eram do futebol. Muitas camisetas também eram do futebol.Havia inclusive uns imbecis soltando rojões, o que não é muito esperto pois pode gerar muito pânico considerando que havia poucos dias muita gente ali tinha sido bombardeada com gás lacrimogêneo. Havia pessoas brincando com fogo. [guardem essa informação do fogo também]

Agora uma pausa: vocês se lembram do fato estranho número dois?O evento falso no facebook? Bom, o trajeto desse evento falso incluía a Berrini, a ponte Estaiada e o palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Reparem só.

Quando a passeata chegou ao cruzamento da Faria Lima com a Juscelino, fomos praticamente empurrados para o lado direito. Nessa hora achamos aquilo muito esquisito. Em nossas cabeças, só fazia sentido ir à Paulista, onde havíamos sido proibidos de entrar havia alguns dias. Era uma questão de honra, de simbologia, de tudo. Resolvemos parar para descobrir se havia gente indo para o lado oposto e subindo a Brigadeiro até a Paulista. Umas amigas disseram que estavam na boca do túnel. Avisei pra não irem pelo túnel que era roubada. Elas disseram então que estavam seguindo a passeata pela ponte, atravessando a Marginal Pinheiros.

Demoramos um tanto pra descobrirmos, já prontos pra ir para casa broxados, que havia gente subindo para o outro lado. Gente indo à esquerda. Era lá que preferíamos estar. Encontramos um outro grupo de pessoas conhecidas e amigas e seguimos juntos. As palavras de ordem não mudaram. Eram as mesmas em todos os lugares. As pessoas reproduziam qualquer frase de efeito tosca de maneira acrítica, sem pensar no que estavam dizendo. Efeito “multidão”, deve ser.

As frases me incomodaram muito. Nem uma só palavra sobre o governador que ordenara à PM descer bala, cassetete e gás na galera havia poucos dias. Que promove o genocídio da juventude negra nessa cidade todos os dias, há 20 anos. Nem mesmo uma. Os culpados de todos os problemas do mundo, para os verde-amarelos-bandeira-hino eram o prefeito e a presidenta. Ou essas pessoas são ignorantes, ou são extremamente desonestas.

Nem chegamos à Paulista, incomodados com aquilo. Fomos para casa nos sentindo muito esquisitos. Aí então conseguimos entender que aquelas pessoas do evento falso no facebook tinham conseguido de alguma maneira manobrar uma parte muito grande de pessoas que queria ir se manifestar em outro lugar. A falta de informação foi o que deu poder para esse grupo naquele momento específico. Mas quem era esse grupo? Não sei exatamente. Mas fiquei incomodada.

6. O centro em chamas.

Quem diria que essa sensação bizarra e sem nome da segunda-feira faria todo sentido no dia seguinte? Fez. Infelizmente fez. O dia seguinte, “hoje”, dia 18 de junho de 2013, seria decisivo. Veríamos se as pessoas se desmobilizariam, se a pauta da revogação do aumento se fortaleceria. Essa era minha esperança que, infelizmente, não se confirmou. A partir daqui são todos fatos recentes, enquanto escrevo e vou tentar explica-los em ordem cronológica. Aviso que foram fazendo sentido aos poucos, conforme falávamos com pessoas, ouvíamos relatos, descobríamos novas informações. Essa é minha tentativa de relatar o que eu vi, vivi, experienciei.

No fim da tarde, pegamos o metrô Faria Lima lotadíssimo um pouco depois do horário marcado para a manifestação. Perguntei na internet, em redes sociais, se o ato ainda estava na concentração ou se estava andando, e para onde. Minha intenção era saber em qual estação descer. Me disseram, tomando a televisão como referencia (que é a referencia possível, já que não havia um único comunicado oficial do MPL em lugar algum) que o ato estava na prefeitura. Guardem essa informação.

Fomos então até o metrô República. Helicópteros diversos sobrevoavam a praça e reparei na quinta “coisa estranha”: quase não havia polícia. Acho que vimos uns três ou quatro controlando curiosamente a ENTRADA do metrô e não a saída… Quer dizer, quementrasse no metro tinha mais chance de ser abordado do que quem estava saindo, ao contrário do dia 13.

A manifestação estava passando ali e fomos seguindo, até que percebemos que a prefeitura era outro lado. Para onde estavam indo essas pessoas? Não sabíamos, mas pelos gritos, pelo clima de torcida de futebol, sabíamos que não queríamos estar ali, endossando algo em que não acreditávamos nem um pouco e que já estávamos julgando sermeio perigoso. Quando passamos em frente à câmara de vereadores, a manifestação começou a vaiar e xingar em massa. Oras, não foram eles também que encheram aquela câmara com vereadores? O discurso de ser “apolítico” ou “contra” a classe política serve a um único interesse, a história e a sociologia nos mostram: o dos grupos conservadores para continuarem tocando a estrutura social injusta como ela é, sem grandes mudanças. Pois era esse o discurso repetido ali.

Resolvemos então descer pela rua Jandaia e tentar voltar à Sé, poisdisseram nas redes sociais que o ato real, do MPL, estava no Parque Dom Pedro. Como aquilo fazia mais sentido do que um monte de pessoas bem esquisitas, com cartazes bem bizarros, subindo para a Paulista, lá fomos nós.

Outro fato estranho, número seis: no meio da Rua Jandaia, num local bem visível para qualquer passante nos viadutos do centro, um colchão em chamas. A manifestação sequer tinha passado ali. Uma rua deserta e um colchão em chamas. Para quê? Que tipo de sinal era aquele? Quem estava mandando e quem estava recebendo? Guardamos as mascaras de proteção com medo de sermos culpados por algo que não sabíamos sequer de onde tinha vindo e passamos rápido pela rua.

Cruzamos com a mesma passeata, mais para cima, que vinha lá da região que fica mais abaixo da Sé, mas não sabíamos ainda de onde. Atrás da catedral, esperamos amigos. Uma amiga disse que o marido estava chateado porque não conseguiu pegar trem na Vila Olímpia. Achamos normal, às vezes a CPTM trava mesmo, daí essa porcaria de transporte e os protestos, etc. pois bem. Guardem a informação.

Uma amiga ligou dizendo que estava perto do teatro municipal e do Vale do Anhangabaú, que estava “pegando fogo”. Imbecil que me sinto agora, na hora achei que ela estava falando que estava cheio de gente, bacana, legal. [que tonta!] Perguntei se era o ato do MPL, se tinha as faixas do MPL. Ela disse que sim mas não confiei muito.Resolvemos ir ver.

[A partir daqui todos os fatos são “estranhos”. Bem estranhos.]

O clima no centro era muito tenso quando chegamos lá. Em nenhum dos outros lugares estava tão tenso. Tudo muito esquisito sem sabermos bem o quê. Os moradores de rua não estavam como quem está em suas casas. Os moradores de rua estavam atentos, em cantos, em grupos. Poucos dormiam. Parecia noite de operação especial da PM (quem frequenta de verdade a cidade de São Paulo, e não apenas o próprio bairro, sabe bem o que é isso entre os moradores de rua).

Só que era ainda mais estranho: não havia polícia. Não havia polícia no centro de São Paulo à noite. No meio de toda essa onda. Não havia polícia alguma. Nadinha de nada, em lugar nenhum.

Na Sé, descobrimos mais ou menos o caminho e fomos mais ou menos andando perto de outras pessoas. Um grupo de franciscanos estava andando perto de nós, também. Vimos uma fumaça preta. Fogo. MUITO fogo. Muito alto. O centro em chamas.

Tentamos chegar mais perto e ver. Havia pessoas trepadas em construções com latas de spray enquanto outros bradavam em volta daquela coisa queimando que não conseguíamos identificar. Outro colchão? Os mesmos que deixaram o colchão queimando na Jandaia? Mas quem eram eles?

De repente algumas pessoas gritaram e nós,mais outros e os franciscanos, corremos achando que talvez o choque estaria avançando. Afinal de contas, era óbvio que a polícia iria descer o cacete em quem tinha levantado aquele fogaréu (aliás, será q ela só tinha visto agora, que estava daquele tamanho todo?). Só que não.

Na corrida descobrimos que era a equipe da TV Record. Estavam fugindo do local - a multidão indo pra cima deles - depois de terem o carro da reportagem queimado. Não, não era um colchão. Era o carro de reportagem de uma rede de televisão. O olhar no rosto da repórter me comoveu. Ela, como nós, não conseguia encontrar muito sentido em tudo que estava acontecendo. Ao lado de onde conversávamos, uns quatro policiais militares. Parados. Assistindo o fogo, a equipe sendo perseguida… Resolvemos dar no pé que bobos nós não somos. Tinha algo muito, mas muito errado (e estranho) ali.

Voltamos andando bem rápido para a Sé, onde os moradores de rua continuavam alertas, e os franciscanos tentavam recolher pertences caídos pelo chão na fuga e se organizarem novamente para dar continuidade a sua missão. Nós não fomos tão bravos e decidimos voltar para nossas casas.

7. Prelúdio de um… golpe?

No metrô um aviso: as estações de trem estavam fechadas. É, pois é, aquela coisa que havíamos falado antes e tal. Mal havíamos chegado em casa, porém, uma conhecida posta no facebook que um amigo não conseguiu chegar em lugar nenhum porque algumas pessoas invadiram os trilhos da CPTM e várias estações ficaram paradas, fechadas. Não era caos “normal” da CPTM, nem problemas “técnicos” como a moça anunciava. Era de propósito. Seriam os mesmos do colchão, do carro da Record?

Lemos, em seguida, em redes sociais, que havia pessoas saqueando lojas e destruindo bancos no centro. Sabíamos que eram o mesmos. Recebi um relato de que uma ocupação de sem-teto foi alvo de tentativa (?) de incêndio. Naquele momento sabíamos que, quem quer que estivesse por trás do “caos” no centro, da depredação de ônibus na frente do Palácio dos Bandeirantes no dia anterior, de tentativas de criar caos na prefeitura, etc. não era o MPL. Também sabíamos que não era nenhum grupo de esquerda: gente de esquerda não quer exterminar sem-teto. Esse plano é de outro grupo político, esse que manteve a PM funcionando nos últimos 20 anos com a mesma estrutura da época da ditadura militar.

Algum tempo depois, mais uma notícia: em Belo Horizonte, onde já se fala de chamar a Força Nacional e onde os protestos foram violentíssimos na segunda-feira, havia ocorrido a mesma coisa.Depredação total do centro da cidade, sem nenhum policial por perto. Nenhunzinho. Muito estranho.

Nessa hora eu já estava convencida de que estamos diante de uma tentativa muito séria de golpe, instauração de estado de exceção, ou algo do tipo. Muito séria. Muito, muito, muito séria. Postei algumas coisas no facebook, vi que havia pessoas compartilhando da minha sensação. Sobretudo quem havia ido às ruas no dia de hoje.

Um pouquinho depois, outra notícia: a nova embaixadora dos EUA no Brasil é a mesma embaixadora que estava trabalhando no Paraguai quando deram um golpe de estado em Fernando Lugo.

Me perguntaram e eu não sei responder qual golpe, nem por que. Mas se o debate pela desmilitarização da polícia e pelo fim da PM parece que finalmente havia irrompido pelos portões da USP, esse seria um ótimo motivo. Nem sempre um golpe é um golpe de Estado. Em 1989 vivemos um golpe midiático de opinião pública, por exemplo. Pode ser que estejamos diante de outro. Essa é a impressão que, ligando esses pontos, eu tenho.

Já vieram me falar que supor golpe “desmobiliza” as pessoas, que ficam em casa com medo. De forma alguma. Um “golpe” não são exércitos adentrando a cidade. Não necessariamente. Um “golpe” pode estar baseado na ideia errônea de que devemos apoiar todo e qualquer tipo de indignação, apenas porque “o povo na rua é tão bonito!”.

Curiosamente, quando falei sobre a manifestação do dia 13 com meus alunos, no dia 14, vários deles me perguntaram se havia chances de golpes militares, tomadas de poder, novas ditaduras. A minha resposta foi apenas uma, que ainda sustento sobre este possível golpe de opinião pública/mídia: em toda e qualquer tentativa de golpe, o que faz com que ela seja ou não bem-sucedida é a resposta popular ao ataque. Em 1964, a resposta popular foi o apoio e passamos a viver numa ditadura. Nos anos 2000, a reposta do povo venezuelano à tentativa de golpe em Chávez foi a de rechaço, e a democracia foi restabelecida.

O ponto é que depende de nós. Depende de estarmos nas ruas apoiando as bandeiras certas (e há pessoas se mobilizando para divulgar em tempo real, de maneira eficaz, onde está o ato contra o aumento da passagem, porque já não podemos dizer que é apenas “um” movimento, como fez Haddad em sua entrevista coletiva). Depende de nos recusarmos a comprar toda e qualquer informação. Depende de levantarmos e irmos ver com nossos próprios olhos o que está acontecendo.

[ escrevi um pouco melhor sobre como eu acho que esse “golpe” continua se desenhando; somando novas peças ao quebra-cabeças. leia aqui se interessar]

Se essa sequencia de fatos faz sentido pra você, por favor leia e repasse o papel. Faça uma cópia. Guarde. Compartilhe. Só peço o cuidado de compartilharem sempre integralmente. Qualquer pessoa mal-intencionada pode usar coisas que eu disse para outros fins. Não quero isso.

Quero apenas que vocês sigam minha linha de raciocínio e me digam: estamos mesmo diante da possibilidade iminente de um golpe?

Estou louca?

18 junho, 2013

Manifestações pelo Brasil

Cansados? Todos estamos. Mas vamos pontuar cansados do quê?  Só assim teremos sucesso em nossas lutas. Manifestações são legitimas e só surtem efeito politico e critico qdo clara e pontual.  Quantidade não é sinônimo de qualidade, qtos ali eram apenas números? Qtos aqui meramente reproduziram um manifesto vazio e sem fundamento politico?
Mto válido gde alarme,  mas só pra saber: quais os pontos de luta mesmo??? 
A tarifa do transporte público? O orçamento superfaturado da Copa? A corrupção  pontual?
Emocionante todos de braços dados cantando o Hino Nacional, mas o que faz chorar mesmo é a falta de organização pra que todo esse movimento surta de fato mudanças em nosso país.
 Me desculpem,  mtos acreditam que  o que aconteceu ontem dia 17  foi a voz do povo ( o que de fato pode até ter sido) mas que povo é esse? O povo numerico que ovaciona ainda hoje "a revolução militar"? Povo que reproduz discursos como: "rouba , mas faz!", que defende pena de morte mas é contra o aborto em todas instancias???  Um tanto incoerente ne?
Ontem, vendo algumas postagens com teor de pura algazarra, me reportei aos tempos do Imperio Romano, em que as pessoas gritavam CRUCIFICA-O, sem ao certo saber  por quais motivos.
Também estou cansada das prioridades não serem as URGENCIAS que nosso país tanto precisa. Estou cansada (contudo, prossigo persistente e consciente) nas minhas lutas com relação a reforma agrária, respeito aos povos indígenas, igualdade de oportunidades para mulher, o Estatuto do Nascituro,  a inserção do negro dentre outras questões que tenho bem claras dentro de mim...
Vi varias placas de fora Dilma! Mas nao vi sugestões... 
Não vi nenhuma sobre uma reforma social. Mto pelo contrario, ao mudar os canais que televisionavam as manifestações  presenciava  comentarios da mesma ordem daquele sr. CRITICO e CONSCIENTE chamado Marcelo Rezende: "Os empresários estao cansados! O trabalhador esta cansado de pagar impostos!" 
A amplitude de idéia de um cidadão como esse que tem voz midiática só tem o papel de inflamar de modo apolitico que adora ser uma oposição por mera oposição.  Fazer crítica apenas pela critica.....

Viva a democracia!  Viva o povo nas ruas, viva a conscientização e a ousadia que motiva a voz diante do cansaço.  Aguardo ansiosa um parecer dos nossos governantes pra todo esse alarme. Como ja disse, tambem estou cansada, não torço contra a copa, nao torço para que as coisas dêem errado. Tenho ciencia de que nossa economia sera grandiosamente movimentada com ambos os eventos q conquistamos (Copa e Olimpiadas). Só me posiciono firme no fato que que não acho que deveriamos ter por prioridade esses investimentos, enquanto tantas outras coisas  URGENTES necessitam de atenção em nosso país.   
Enfim, meu maior descontentamento ontem foi presenciar pessoas que nao diferem  o cú das calças manifestando como gigantes cidadãos que acordaram pra mudar o Brasil.
Isso mto me preocupa, pois a legitimidade que a democracia nos oferece em manifestarmos, pode ser um grande tiro no pé se não  fizermos com consciencia e clareza de o que de fato precisamos mudar.
Do mais, aguardemos o que será feito com o grito #MudaBrasil

16 junho, 2013

Dia Mundial da Conscientização da Esclerose Multipla 2013

Oi gente, tudo bem com vocês? Muitas novidades?
Pois bem, eu tenho algumas, mas hoje quero falar de uma em especial.
Pra quem não sabe o ultimo dia 29 de maio,  foi marcado pelo Dia Mundial da Conscientização da Esclerose Multipla.
Mais uma vez, tive a honra de ser convidada para um Workshop sobre o tema.
Dessa vez o convite foi feito pelo laboratório Internacional Genzyme. 
A iniciativa se deu ao novo quadro patológio que a empresa começará a trabalhar devido a um novo medicamento (oral, pra quem odeia injeçoes) que está sendo lançado.
Estive juntamente com o SR Wilson Gomiero presidente da FEBRAPEM (Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Eclerose Múltipla) e membro do CONADE ( Conselho Nacional de Saude), a Izildinha sua esposa e cuidadora e a dra em neurologia Ana Cristina.
Além de termos sido muitissimo bem recebidos, tivemos um bate papo  mega produtivo com temas como a descoberta do diagnóstico, o processo por sua busca, a aceitação do paciente, familiares e sociedade,  diferentes terapias, rupturas de preconceitos dentre outros temas mto pertinentes.
Abaixo, uma reportagem retratando o trabalho realizado nesse dia. Como o trabalho realizado foi inedito, teve repercursão internacional. (Estamos uns escleróticos muito chiques!!kkk)
Do fundo do meu coração desejo que a Genzyme  tenha sucesso com essa nova medicação assim como os pacientes que poderão contar com ele.
Que o ambiente profissional que pude compartilhar nesse dia, perdure e os motive sempre.
Obrigada pela oportunidade! (Abraços à  todos que estiveram conosco nesse dia.)


30 maio, 2013

"50 Tons de Tédio"

Sei que já falaram um monte sobre o livro. E sei tambem que muitas das minhas amigas leram e amaram, assim como  mulheres ao redor do mundo se apaixonaram perdidamente pela história do milionário-traumatizado-controlador-possessivo Christian Grey e da jovem-inocente-virgem-corajosa Anastasia Steele. Mas eu arrisco dizer que “Cinquenta tons de cinza”, da escritora E L James, mesmo após vender 67 milhões de exemplares (2,4 milhões só no Brasil) é um dos livros mais entediantes que euzinha ja li.
Além da trilogia (completada com “Cinquenta tons mais escuros” e “Cinquenta tons de liberdade”) estar prestes a se tornar filme, se você não leu o livro ainda alguma amiga vai te empurrar os três volumes com argumentos convincentes. Eu por exemplo, apos assistir uma critica sobre a literatura no programa Saia Justa - GNT fiquei tão curiosa que acabei cedendo, mesmo após algumas criticas. Enquanto isso, queria muito entender os atributos magnificos do tal Christian Grey.
Assim que li o primeiro livro logo que foi lançado, achei simplista, nao muito erótico (como o prometido) alem de machista. Um enredo em que o sujeito determina o comportamento sexual das mulheres que atravessam seu caminho, que na cama deve se submeter a desejos diferenciados e dolorosos, não me pareceu nem um pouco uma mensagem interessante num mundo em que homens ainda se acham com mais direitos do que as mulheres, incluindo aí o direito de tratá-las com violência. Nada contra opçoes de praticas sexuais, mas a mim foi de extremo desagrado a relação de modo geral.
Ele traumatizado, doente, possessivo, inseguro. Ela, inocente, com ares de rebeldia, apaixonada e pseudo corajosa.
Confesso que fiquei intrigada e um tanto preocupada com a figura do "mocinho" que muitas mulheres andam   desejando. Será que o problema sou eu?
Essa inquietação me obrigou a levar essa angustia como pauta da minha terapia.  Afinal, me revolta mulheres dizerem que amam esse cara e a tamanha submissão da protagonista, acreditando que essa relação é bonitinha.
Juro, sem ironias, que se o final da triologia fosse marcada por um crime, eu acharia bem mais coerente o enredo raso e simplista da autora.
Nao cabe em mim, relaçoes de posse,  de dominio, de submissao, de controle, de autoritarismo cordial, de amores fora de controle, de paixões irracionais. Sinceramente DETESTO essa atmosfera. na minha humilde opinião, isso não tem nada de amor, antes tem tudo de doentio.
Pra não ser tão radical, embora tenha achado de uma linguagem simplista e rasa, a historia não é toda ruim. A autora constrói  bem o suspense de um capítulo para o outro, sempre dando pequenas pistas que vão explicando porque raios Christian Grey age do jeito que age, de onde vem o trauma dele.
 A trama psicológica que o envolve desperta interesse. A história tem ritmo, o que acredito que funcionará bem no cinema. É o mesmo princípio de outros grandes sucesso literários que se transformaram em blockbusters: “Harry Potter”, “Crepúsculo” e mesmo “Comer, rezar, amar” que por sinal amei
Como sabem, sou mto ecletica quando o assunto é musica, literatura, cinema etc. Mas sou obrigada a dizer que não achei o texto nada brilhante. Não acredito que tudo que a gente leia tenha que ser poético e intelectualizado, acredito na leitura por lazer e puro entretenimento , mas classificar esse livro como erótico é pra rir.
Tenho que ser sincera com vocês: só pode achar a relação de Christian e Anastasia picante quem tá com a vida sexual morna ou zerada. Tirando uma chicotada mais tensa ou outra, nada do que é descrito ali é demais, fora os termos repetitivos que me faziam reproduzir a personalidade sem sal da mocinha de revirar os olhos. "Inebriante", "beicinhos", "beijinhos nos nós dos dedos" dentre outros termos, me fizeram entediadissima durante a leitura.

Mas pra aqueles que se empolgaram e aprenderam algo com a leitura, bom proveito. Converse com o parceiro pra sugerir umas “novidades”. E tenha em mente que você pode fazer tudo aquilo e muito mais!
No decorrer da história, Christian, graças ao amor de Anastasia (que é uma moça chatinha e forte, no fim das contas), muda para melhor, cura seus traumas e formam uma linda e feliz familia. A possessividade dele ganha uma explicação justificavel.
Em suma, conclui que 50 Tons de Cinza agrada a mulheres romanticas que insistem em crer no principe encantado, no amor que supera tudo, e que tudo transforma a qualquer preço.
Sinceramente, não é meu perfil idealizado de romance. Nem meu perfil de mulher e muito menos meu perfil de homem. Eu enlouqueceria com alguem tentando me dominar, seja por preocupação, seja com cuidados, seja com qualquer coisa que me roubasse a identidade e subestimasse minha personalidade. Eu hein.... tô fora!!! 



Continuo achando, que se o término fosse um crime sanguinário, o enredo seria muito mais interessante. kkk
 Me desculpem.... (com relação a foto ao lado, o Naldo não tem nada com isso..ou será que implicitamente tem? rsrsrs)
Pensando bem, fiquei na duvida!!! kkkk

25 maio, 2013

"O cheiro do incenso"

       Adoro passear por estórias, por memórias sejam minhas ou alheias.
Passeando entre vidas, causos e bloggs eis o trecho de uma que mto me agradou.  Que desperte em você, assim como despertou em mim, memórias, sejam elas olfativas ou não. ;)
                                                          ...

" (...) Estava frio, mas ao dar o primeiro passo por aquela porta de casa antiga, o cheiro doce do incenso fez com que tudo ficasse quente em mim. Por ser noite, uma luz quente amarelada e fraca me fazia enxergar um sofá próximo a janela, uma mesa de escritório, um painel com telefones de comida chinesa e algumas imagens de pretas folclóricas...Tudo ali me parecia familiar e meu. O blues, o quadro de caricaturas, o carpete. De repente, o que era apenas uma voz, se tornou uma blusa de lã fina, preta e de gola alta. A conversa era boa, o olhar era bom. Entre bocas, dentes e estórias nos aproximávamos. Nos aproximávamos cada vez mais.Entre sifras, notas, pratos e baquetas meu mundo se encontrava ali, ora aos pés de uma bateria sobre o carpete cinza, ora na sala ao lado sobre um colchão inflável.Na minha mente, um cuturno, um jeans, uma banqueta e um espelho. Na dele lingeries azuis, amarelas e argila.Argilas em promoção.Por sermos tão iguais, tão metades, tão avessos, o querer e o desprezo, a coragem e a covardia, o presente e o passado não nos permitia ver futuro.Um misto de paixão e ódio, de brigas e pazes, de tesão e desprezo se misturavam em nós com a mesma necessidade de estarmos ali, envoltos na fumaça do incenso.Ali, sobre o carpete nunca tinha sido tão eu...Ali em pé me encurralando entre a porta e o quadro, ele nunca tinha sido tão ele...Eu sentia que não!Pergunto aos encurralados em estórias, cantos, carpetes e conflitos, como não relembrar de capítulos olfativos? Maldito sentido! Bendita memória que faz reviver e sorrir, querer e fugir!Cenários que só trazemos na lembrança. Aquela rua sem saída, o portãozinho de muro baixo, o chão encerado... e o cheiro do incenso.Ah, o cheiro do incenso!!!"
......................................................................................................................................



30 abril, 2013

Gostos


Depois de uma conversa super banal e divertidissima com uma amiga, fiquei pensando que auto-biografias 
deveriam ser reescritas de tempos em tempos.
Falavamos sobre gostos, preferencias musicais e como sempre surgiu aquele velho e conhecido chavão : 
"Gosto nao se discute!!!"
Mesmo não concordando totalmente, fiquei impressionada com a frase que veio logo a seguir, pois nunca tinha ouvido essa combinação : "Gosto não se discute, só se lamenta!" kkkk
Falamos sobre vários costumes típicos de hoje em dia  que sinceramente não me enquadro muito bem.
Depois que findamos a conversa eu fiquei pensando,  como é incrivel nossa trajetoria. Como a construção do individuo se difere de um para o outro, mesmo esses tendo uma ligação tão proxima. 
Brincadeiras a parte, quero refletir sobre a singularidade das pessoas. E como diante de questões como essas  referente a gostos pessoais, denunciamos muitas vezes nossos exclusivismos e superioridade sobre outrem.
Não importa qual seja o assunto em questão.  Cultural, social, religioso sempre expressaremos ainda que nas entrelinhas, nosso desapreço sobre os gostos que diferem do nosso.
Tenho vários amigos de diversas tribos que conseguem passear e se divertir tranquilamente em diferentes 
ambitos culturais, não gosto de exclusivismos, nao curto demarcações, segregações e coisinhas do tipo.
Mas todo esse dialogo me fez refazer minha autobiografia. 
Confesso ás vezes me considerar um tanto fora de órbita, de contexto. Mas vamos lá, vou tentar reescrever 
minha nova auto-biografia.


Me chamo Dalila Galdino, ( Dazinha Ferreira até praticamente ontem), 30  anos (não tao bem vividos), branca (com alma de preta), casada (outrora por certa pressão, mas hoje por opção) , nascida em 18 de março de 1983, pisciana com ascendente em cancer (segundo minha amiga Danila). Tenho alma de Sereia, alma de quem vive no mar, e sonha com a terra, canta a vida, canta o lamento, canta e encanta. Pobre encanto!
Sou um tanto livre, com alma um tanto livre, idéias um tanto livres e espírito um tanto livre. 
Amo agua, nasci pra andar no tempo! Nunca preciso de guarda chuva, guarda sol ou coisas do tipo.
Não sirvo pra ser controlada pelas horas, pelos minutos, pelos segundos, isso me desespera, procuro não ser refém dos ponteiros, não necessito de usar relógios. 
Aliás, tenho problemas com horários ( principalmente os matinais). A vida deveria começar depois das 10 pra todo mundo!
Não gosto muito de telefone, dificilmente irá me encontrar dependurada ao telefone. Talvez por isso também eu não tenha um celular. As vezes até gostaria de um, mas definitivamente guarda chuvas, relogios e celulares , são roupas que nunca me caíram muito bem.
Falo de futebol com pretensão, de politica como quem sabe das coisas e de religião como quem ja pertenceu  ao "santo lugar".
Sou eclética pra praticamente tudo. Cores, roupas, comidas, verduras, frutas, bebidas, musicas etc...
Não sei marca de nada, não consumo marcas, pra mim o caro e o barato mal se diferenciam pela qualidade, meu lema é gostou levou!!!
Amo Musica Popular Brasileira em todas suas manifestaçoes, adoro os mantras hindus, cantarolo cinrandas e pontos de Umbanda, assim como chego a adoração com algumas musicas gospel. 
Passeio do Samba ao funk, do forró ao maracatu, do frevo ao axé. Tenho a Bíblia e o manifesto comunista, Leio Dom Casmurro e 50 Tons de cinza! rs Trago um nacionalismo tipico de Policarpo Quaresma.
Tenho minhas verdades, mas nunca elas imutavéis. Ja passei da fase do exclusivismo. Hoje pertenço a tudo e tudo me pertence.
Acredito no poder que as escolhas geram sobre nós. Plantei sementes boas e assim as colhi, e da mesma 
forma que plantei más sementes, tambem as tive que colher.
Nasço, vivo e morro todos os dias. Como num ciclo sem fim.
Vivo um milagre por dia, um de cada vez, sem muitas pretensões, enxergando tudo como uma benção e uma oportunidade.
Sou curada, embora tenha um diagnostico de uma doença auto imune no Sistema Nervoso Central. Me curei!
Curei a alma, não me escondo, não evito os olhares de ninguem, não ostento  alianças nem posturas 
santas. Nao julgo, e nao me visto de verdades absolutas. Quão penoso é carregar um fardo tentando se convencer dia a dia de que ele é leve!
Ja me vi sem rumo, qdo deixei a bagagem pesada para tras, assim como vejo pessoas que deixaram a bagagem fisica, mas ainda as carregam na alma, na inflexibilidade, na amargura das palavras que um dia proferiu.
Não me dou mto bem com tecnologias,(minha amiga Michela que diga). Adoro ser fragil pra pedir ao marido que abra latas enguiçadas e garrafas dificeis de abrir.
Detesto sentar a mesa sozinha. Comer em frente a TV na sala jamais...
Mesas são feitas para a familia, pra se contar como foi o dia e honrar o alimento q esta sobre ela.
Adoro conversas que duram a madrugada toda, sorvetes de domingo e  passeios de mãos dadas. Peço "bença" pra mãe antes de viajar, digo que a amo todos os dias. Ela sabe, mas é sempre bom lembrar....
Tô ficando boba, mais do que o de costume. Começo a desconfiar que a vida gostosa de se viver começa aos 30!
Hoje minha autobiografia  bemmmm resumida é essa. Certamente daqui ha 5 anos, será outra. Há 10 outra, e assim sucessivamente...
Espero que findem alguns medos e que surjam novos, mas que nenhum deles me paralise diante da vida. (Desafios nos desestabilizam por tempos, mas são sempre produtivos). 
Espero estar mais resolvida em alguns aspectos (meu terapeuta tb espera, aposto). Desejo ter os amigos de hoje, com encontros de carnavais, cafés da tarde, "sacrificios de horas de viagem" e musicas de domingo, só pra se fazerem presentes.  Desejo muito conquistar mais alguns pares deles. Todos diferentes, mas com a mesma alma, clareza e lealdade.
Desejo gostos diferentes,  com todo direito e  prazer de gostar, seja do que for e como for, simples assim... 
Carpe Diem...

13 abril, 2013

Eu - nas palavras de Rubem Alves

É com muita pretensão e ousadia que posto esse texto aqui nesse meu espaço, tomando para mim a exclusividade dos seus versos.
Pensei em gravar a leitura desse texto e expor aqui o audio. Contudo, me lembrei de um amigo que noutro tempo me disse : "Dázinha, você lendo poemas, por mais belo que seja o faz  parecer com um artigo policial." 
Achei melhor não, fiquei meio bloqueada!!! kkkkkkkkk
Mas enfim, esta aqui um dos textos do Rubem Alves que eu amo de paixão e que minha alma se reconhece nele. Espero que gostem.... 
Ao término, ele (Rubem Alves) fala CARPE DIEM por mim!!! kkk
(Quero apresentar e oferecer esse texto ao meu terapeuta, Dr. Rodrigo Martins, eis o tal Rubem Alves de quem tanto falo!) 
Sem muitas análises ok?
.................................................................................................................................................................

"Resta" - Rubem Alves


Comovo-me ao recordar-me do poema do Vinicius " O haver". É um poema crepuscular. Ele contempla o horizonte avermelhado, volta-se para trás e faz um inventário do que sobrou.
Fiquei com vontade de fazer algo parecido,sabendo que não sou Vinícius,não sou poeta, nada sei sobre métrica e rimas. 
E eu começaria cada parágrafo com a mesma palavra com que ele começou as suas estrofes: Resta... Resta a luz do crepúsculo, essa mistura dilacerante de beleza e tristeza. Antes que ele comece ao fim do dia,o crepúsculo começa na gente.
O *Miguelim menino já sentia assim: "O tempo não cabia. De manhã já era noite...".Assim eu me sinto, um ser crepuscular. Um verso de Rilke me conta a verdade sobre a vida:"Quem foi que nos fascinou para que tivéssemos uma ar de despedida em tudo o que fazemos?".  
Restam os amigos. Quando tudo está perdido,os amigos permanecem. Lembro-me da antiga canção de Carole King,"You got a friend": "Se você está triste,no fundo do abismo e tudo dando errado, precisando de alguém que o ajude -feche os olhos e pense em mim. Logo logo estarei ao seu lado para iluminar a noite escura.Basta que você chame o meu nome...Você sabe que eu virei correndo pra ver você e de novo . Inverno,´primavera, verão ou outono, basta me chamar que eu estarei ao seu lado. Você  tem um amigo..." . 
Eu tenho muitos amigos que continuam a gostar de mim a despeito de me conhecerem. E tenho também muitos amigos que nunca vi. 
Resta a experiência de um tempo que passa cada vez mais depressa,"Tempus Fugit"."Quando se vê já são seis horas. Quando se vê já é sexta-feira. Quando se vê já é Natal. Quando se vê já terminou o ano. Quando se vê não sabemos por onde andam nossos amigos.Quando se vê já se passaram cinquenta anos...(Mário Quintana). Resta uma ternura por tudo que é fraco,do pássaro de asa quebrada ao velho trôpego e surdo. 
Fui um adolescente fraco e amedrontado. Apanhei sem reagir. Cresceu dentro de mim uma fera que dorme. 
Toda vez que vejo uma criança, uma pessoa humilde e indefesa sendo humilhada por uma pessoa que se julga grande coisa, a fera acorda e ruge. Tenho medo dela. 
Resta a minha fidelidade às minhas opiniões que teimo em tornar públicas,o que me tem valido muitas tristezas e sucessivos exílios. Mas sei que minhas opiniões,todas as opiniões, não passam de opiniões. Não são a verdade.
Ninguém sabe o que é a verdade. Meu passado está cheio de certezas absolutas que ruíram com os meus deuses. 
Todas as pessoas que se julgam possuidoras da verdade se tornam inquisidoras.Por isso é preciso tolerância.
Resta a verdade que, muitas vezes, fica nublada, escondida pela maldade de alguns seres humanos. 
Resta, na catedral vazia, a luz dos vitrais coloridos, o silêncio,o repicar dos sinos,o canto gregoriano, a música de Bach, de Beethoven, de Brahms, de Rachmaninoff, de Fauré, de Ravel... 
Resta ainda, no pátios da catedral arruinada, a música de Jobim, do Chico, de Piazzola... 
Resta quanto tempo? Não sei.
O relógio da vida não tem ponteiros.Só se ouve o tique taque...
Só posso dizer: " Carpe Diem" - colha o dia como um morango vermelho que cresce à beira do abismo. É o que tento fazer.

07 abril, 2013

Irracional? Que injustiça!!!


Hoje vou falar sobre algo sem mta importância pra muitos, mas de extrema relevância pra mim: a companhia do meu Juquinha.
Creio que mtos de vocês, ou ja o conhecem pessoalmente ou ja ouviram falar dele. 
Pois bem, Juca é o meu cachorro, e ele está prestes a completar 4 anos, o mesmo tempo em que fui diagnosticada com EM.
Qdo o adotei, estava me recuperando de um surto na qual fiquei 3 meses sem andar e quase 5 sem sair de casa. 
Imaginem a deprê??? 
Pois é, era assim que eu me encontrava, só saía de casa na época para a realização das minhas terapias e consultas medicas. Como ja disse em outros posts foram tempos mto difíceis. 
Logo qdo comecei a andar novamente, tomei coragem e resolvi dar uma voltinha de carro com o William para ver o movimento da cidade, pois ha tempos não saia assim sem um propósito especifico. Passamos em frente a uma feira de adoção de animais (ONG ADOTE JÁ) abandonados que acontece aqui em nossa cidade e decidimos dar uma paradinha.
Foi amor a primeira vista!
Qdo olhei aquela bolinha de pelos nas mãos de uma outra pessoa, eu pensei, se ele não quiser vou levar essa bola preta pras mim!
E não é que dei sorte!!!
O homem estava procurando uma cadelinha e aquele bichinho peludinho, embora fosse lindo, era um machinho.
Não pensei duas vezes, assim que o homem o colocou de volta na gaiola eu o peguei. Liguei pra minha mãe, e em consenso com meu marido o trouxemos.
Na época, ele tinha apenas 2 meses. Aprontava horrores.... 
Desde a destruição de inúmeros chinelos a fugir pelo vidro da janela do carro enquanto parávamos para estacionar na garagem ele ja aprontou.
Sempre foi mto brincalhão,  e devido a minha mobilidade bem reduzida na época ele ficava mto em cima de mim, estava num processo de recuperação, mto chorona ainda, enfim....
Hoje graças a Deus recuperada, acompanho as peripécias desse bichinho q alem de "perereco" é mto carinhoso e inteligente.
Aqui está ele e um tiquinho da doçura e inteligencia de um bichinho que tende a ser chamado de irracional.
Qta injustiça!!! Espero que curtam.
Bjs CARPE DIEM

A compaixão pelos animais
está intimamente ligada a bondade de caráter,
e quem é cruel com os animais
não pode ser um bom homem.
Arthur Schopenhauer


Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais.
Alexandre Herculano

  ...

31 março, 2013

A boca fala do que o coração esta cheio?


 Ao longo de nossa trajetória, algumas pedras tendem a cobrir nossa visão nos deixando na mais completa escuridão. Contudo, dentro de nós existe uma Luz, e graças a Ela somos capazes de reconhecer os milagres diários e contemplá-los.

Hoje é um dia com um significado mto especial, um marco para o cristianismo. O dia que a pedra rolou...

Desejo muito que as pedras que tapam a luz dos nossos sonhos, das nossas esperanças rolem tambem, para que possamos contemplar o milagre da ressurreição.

 A palavra PASCOA (no hebraico PESSACH) quer dizer passagem. Passagem do velho para o novo, da escravidão para a liberdade. Anseio pelo dia em que todos nós possamos  viver a liberdade da renovação, sendo a cada dia pessoas melhores, milagres vivos.

Ironicamente ou não ontem eu li o post de uma pessoa que de cada 10 postagens 9,5 falam do amor de Deus, mas também coicidentemente (ou nao), li que aqueles q não apoiam o Pastor Marco Felicino (com todo seu historico de palavras mal colocadas e infelizes), são babacas e naõ valem mais q um cocô de cachorro na calçada! 
De fato foram esses os termos usados. 
Agora pergunto eu: Vale a pena professar uma fé tao contraditoria?  
Como assim alguem valer menos que um cocô de cachorro?
Como assim dizer que ama o invisível e desconsiderar a tal ponto seu proximo?
Como assim dizer que ama a todos sem distinção? 
Quem ama um cocô de cachorro deixado na calçada? Eu não amo!!!
Eu amo pessoas, seres vivos, a natureza, tudo que me reporta a presença de Deus.
Será que nesse contexto vale dizer que a boca fala do que o coração esta cheio, ou seria injustiça???
Há mais ou menos um mês recebi uma mensagem in box no face, sobre a minha "não aceitação" de pessoas que convivi na época em que frequentei a igreja.
Sem pesares ou justificativas, declarei não aceitar pelo mero motivo de não mais compartilharmos as mesmas visões ( afinal, cansei de tentar conciliar minhas convicçoes políticas com questoes relacionadas à intituição religiosa e com isso causar polêmicas e desconfortos). 
Mtos do que passaram por minha vida ao longo de 15 anos de igreja, fizeram parte da minha história e os tenho guardado em meu coração. Contudo conheço bem, pois ja vivi esses ares em outros tempos, os encontros ao redor da mesa para comentarios santos e pedidos de oração pela vida de ciclano ou beltrano que está "longe de Deus".
Sinceramente, nao quero isso pra mim, por isso evito ao maximo polemizar meu proximo com minhas bandeiras, minhas convicçoes meu modo de ver e viver a vida. ( Afinal, todas essas questoes que pontuo, corroboraram para a minha saída e a do meu esposo do santo lugar).
O que me deixa um pouco chateada, mas ao mesmo tempo qdo olho sob uma profundidade reflexiva maior, vejo que não vale a pena discutir conceitos ja cristalizados publicamente. Pois a falta de argumentos coesos e a veracidade abstrata de conceitos  impedem uma "discussão madura e saudável".
Por isso, ao invés de jogar palavras com cunhos de indiretas no face, estou usando desse espaço que embora seja público é MEU espaço particular para expor o que esta em meu coração.
Amo meu proximo, e reconheço nele, (independente de quem ele seja, das convicçoes que possua, dos interesses semelhantes ou não aos meus) a imagem e semelhança de Deus. Sem ser mais ou menos que eu, pois creio que nele habita a propria divindade e assim se manifesta com milagres e prodigios diarios.
Do fundo do meu coração, quero pedir compreensão daqueles que não aceito e minha rede social. Deixar claro que não tenho nada contra em ambito pessoal, embora tenha mta coisa contra em ambito filosofico.
Quero deixar claro que  não estou disposta a ser assunto de cunho pesarosos, cansei de esperar o amor cristão em datas de aniversário, em situaçoes dificeis em que passei como meu diagnostico, a perda da Rebeca, e ou uma simples ligação que infelizmente não recebi, nem encontrei uma palavra de amizade.
Conclui então que as relaçoes de irmandade são por mera conveniencia e força do convivio. Passado isso, o amor cristão de alguns se esvai.... 
Porque então compartilhar um boletim diario da própria vida nas redes sociais??? Não ha logica, concorda?
Confesso que acreditava ter em meu face pessoas respeitosas que embora eu saiba que não sao assiduas na igreja, vivessem um cristianismo limpo, honroso, diferente. Contudo após presenciar a falta de respeito para comigo e para com a minha familia, (por contas de nossas convicçoes politicas) vejo que mais uma vez me equivoquei.
Por isso  lanço o convite hoje à todos aqueles que me acham "pior que um cocô de cachorro", a isenção de acompanhar a vida de uma pessoa com ideias tão babacas e não cristãs.
Cada um olha a vida e as pessoas de acordo com os óculos que carregam sobre os olhos e estou certa que não há nada que euzinha possa fazer.
Se minhas postagens, minhas bandeiras meu modo de ver a vida são de sobremodo tão desonrosos, é só clicar no campo AMIGOS onde aparecerá uma listinha. Logo abaixo encontrará DESFAZER AMIZADE.
Simples assim!!! 
Agora se por ventura quiser continuar caminhar paralelo a mim, mesmo que nossa estrada não seja a mesma, será sempre bem vindo!
Enquanto isso sigo desejando pra nós uma Pascoa em sua essencia. Essencia de passagem, de transformação de ressurreição.
Amando ao proximo independente de nossas verdades pessoais, amando pelo simples prazer de amar.
Carpe Diem