
Certamente muitos dos leitores desse post discordarão da minha analise. Mas a reflexão que desejo propor hoje é sobre o atentado ocorrido em Realengo-RJ, no ultimo dia 7 de abril.
Infelizmente somos produtos de uma midia formadora de opinião. É só assistirmos determinadas noticias na tv, ou em outro meio de informação e logo reproduzimos o tal discurso dizendo: " Voce viu o que aconteceu?"
A maneira rasa com que recebemos as noticias, gera em nós a principio apenas a indignação violenta e extrema de ocorridos como esse em Realengo.
O favorecimento midiatico em focar "culpas" numa unica pessoa, nos impede de olhar de modo critico para o sistema.
Sentimos a dor da perda, a indignação por tamanha crueldade, o lamento pela falta de segurança, a revolta por tal atitude desumana e insana...
Contudo, não apronfundamos nosso olhar para questionar a figura que protagonizou o evento.
Quem era Wellington Menezes de Oliveira?
Por que um rapaz de 24 anos, entraria numa escola e de modo frio e calculista executaria à sua escolha, crianças indefesas?
Como uma instituição de ensino, pode ser tao falha ao receber um insano,armado, como um palestrante?
Qual era a formação ideologica de um rapaz que faz questao de estabelecer exigencias qto ao seu velorio?
Ao meu ver, questões como estas são imprescindiveis para que possamos estabelecer criticas mais ferrenhas ao nosso sistema em suas mais variadas instâncias.
O preocupante, é que existem muitos "wellingtons" em nossa sociedade, vitimas do descaso social.
Investigaçoes apontam o rapaz como sofredor de bulling nos tempos de colegio. Acredito esse ser apenas um dos fatores psicologicos que moldaram o carater e a personalidade desse moço.
Certamente a falta de acesso a condiçoes dignas de trabalho e estudo, a ausencia de um sistema de saude eficaz, que se atentasse que o mesmo ja demonstrava disturbios de personalidade em seu dia a dia, e ainda, quais bases formadoras possuia esse homem, para deixar em sua carta palavras que denunciavam um extremo fanatismo religioso?
Acredito que a delinqüência infanto-juvenil, bem como a criminalidade em geral, pode ser compreendida como busca de solução a uma história
de conflitos, frustrações e privações, incluída aí a privação emocional. Minha formação não se centraliza na area da psicologia,(por isso, nao ouso estabelecer minhas opiniões sob esse foco). No entanto,tomo a liberdade de avaliar esses fatos, sob o foco da critica social, da importancia em estarmos atentos enquanto sociedade, à questoes que ainda nao chegaram ao extremismo desse fato, mas que tb estão presentes em nosso dia a dia.
Termino com a ideia de um psicanalista chamado Winnicott que passei a me interessar qdo li o livro "Privação e Delinquencia", no periodo em que fazia magisterio;(há mtooooo tempo).
As palavras abaixo, foram ditas por ele numa palestra, e acredito ser bem pertinente ao caso desse rapaz Wellington, que deixou relatada suas ultimas vontades numa carta. Vejam:
"...A criança, nos primórdios de sua existência, “cria” o seu ambiente, embora ele já pré-exista, “cria” sua mãe, embora ela já pré-exista. “Cria”, isto é, “configura” sua mãe e o ambiente para seu “eu”, sua realidade própria, totalmente única, original, inconfundível com qualquer outra realidade. Todo ser humano aspira viver plenamente e criativamente sua vida, na posse plena do objeto, com segurança e autoconfiança, num ambiente estável e acolhedor. Essa é sua necessidade fundamental e a ela todas as suas condutas se vinculam, direta ou indiretamente. Até mesmo a conduta suicida em última análise, é, a meu
ver, uma manifestação dramática, desesperada e última de busca da vida, pois ele só pode ser cometido por aqueles que não encontram mais vida em sua vida..."
Abraços e sentimentos por mais essa tragédia na historia do nosso país.